Fascínio e mistério

Fascínio e mistério no sertão nordestino. Estas são as primeiras impressões que se tem na chegada ao Lajedo de Soledade, impressionante formação de rocha calcária localizada em Soledade, distrito da cidade de Apodi, a 73 quilômetros de Mossoró, no Rio Grande do Norte

Lajedo de Soledade é considerado uma das formações rochosas mais antigas do Brasil. Sua origem remete a 90 milhões de anos, quando os continentes africano e sul-americano ainda encontravam-se unidos. O que num passado remoto era um mar de águas rasas, resultou, na atualidade, na maior exposição de rocha calcária da bacia potiguar, com cavernas e fendas repletas de pinturas rupestres.

São justamente essas pinturas nas rochas o grande fascínio do Lajedo de Soledade, descoberto para o turismo no final da década de 80. Os desenhos, feitos por índios que habitavam a região no período pré-histórico, representam figuras de animais, elementos da natureza e formas geométricas.

Nas fendas do Lajedo foram encontradas também vários fósseis de preguiças, tatus gigantes, mastodontes e tigres-de-dente-de-sabre que viviam no Nordeste no período Glacial. Os fósseis estão expostos no Museu do Lajedo, localizado no distrito de Soledade, a menos de um quilômetro da entrada do Lajedo.

O Lajedo de Soledade é ideal para grupos de estudantes e de pessoas que se interessam pelo turismo científico e desejam conhecer um pouco mais sobre a história da formação geológica do sertão nordestino e também sobre os primeiros habitantes que viveram na região.

Além disso, a visita ao Lajedo se torna uma divertida brincadeira, quando, junto com os guias, os turistas tentam decifrar o significado dos desenhos pré-históricos ou mesmo caminhar pelas fendas e pequenas cavernas. Conhecer o Lajedo de Soledade é participar de uma fascinante aventura pelo sertão nordestino.

Fascínio no sertão nordestino

Todo final de semana é grande a movimentação em Soledade, pequeno distrito da cidade de Apodi, no sertão do Rio Grande do Norte. O motivo é um só: dezenas de turistas viajam até a localidade para conhecer o Lajedo de Soledade, uma formação rochosa repleta de fendas e cavernas com desenhos pré-históricos.

A visita começa pelo Museu do Lajedo de Soledade. Lá, por meio de painéis e orientações dos guias do sítio arqueológico, é possível compreender a formação geológica da região onde está situado o Lajedo. Há 90 milhões de anos, toda a área era coberta por um mar raso que, ao recuar, revelou uma grande extensão de rocha calcária. Com a erosão provocada pelas chuvas e riachos, as cavernas e fendas foram sendo modeladas em interessantes formatos. Atualmente, o Lajedo encontra-se na paisagem semi-árida do Nordeste, onde reina a vegetação seca.

Depois da visita ao museu arqueológico, são formados grupos de turistas distribuídos com os guias do sítio arqueológico.

É possível visitar o Lajedo por três áreas já delimitadas e destinadas à preservação, chamadas de Araras, Urubu e Olho d’água, sempre com auxílio dos guias especializados. É preciso tomar cuidado para não escorregar nas pedras nem esbarrar na vegetação típica do semi-árido, formada principalmente de plantas espinhentas, como o xique-xique.

Além da bela visão do Lajedo, a erosão formou cavernas e abrigos que serviram a grupos humanos entre cinco mil e três mil anos atrás. Esses grupos deixaram pinturas nas paredes, principalmente de cor vermelha e amarela, típica pintura de tradição agreste, obtida do óxido de ferro, sangue animal e gordura vegetal. São desenhos de animais e de formas geométricas variadas, além de carimbos de mãos e delicadas gravuras sobre as rochas. Eram grupos nômades, caçadores que, segundo os guias, provavelmente utilizavam os caminhos naturais do Lajedo para encurralar os animais que caçavam.

Cláudio Sena, guia do local, informa que a pintura da arara, comum em várias paredes das cavernas, tornou-se o símbolo da Fundação dos Amigos do Lajedo de Soledade (Fals), entidade mantenedora do sítio arqueológico. De acordo com o guia, mensalmente, cerca de 700 pessoas visitam o Lajedo. ´Recebemos a visita de muitos estudantes e também de grupos de Melhor Idade, que gostam de se aventurar, observando os desenhos e percorrendo as ladeiras entre as cavernas´, ressalta.

Uma das cavernas que chama atenção dos visitantes é a Lapiar. Nesta caverna, aberta entre as rochas, é possível rastejar dentro dela numa extensão de sete metros. Já na Ravina do Peninha dá para se ter a idéia de que realmente ali já fora um mar em eras remotas devido a abertura da rocha, que apresenta uma profundidade de mais de 10 metros.

No Lajedo de Soledade foram encontrados muitos fósseis dos animais que viveram há milhares de anos. As espécies mamíferas existentes eram preguiças e tatus gigantes e mastodontes; e carnívoras: panteras e o famoso tigre-de-dente-de-sabre. Os fósseis de Soledade eram encontrados em escavações feitas por leigos na limpeza do Olho D´ Água (atualmente, uma das áreas de visitação do Lajedo) e em escavações sistemáticas realizadas por equipes de arqueólogos. Todos os fósseis estão expostos no Museu Arqueológico do Lajedo de Soledade.

Kiko Barros
Repórter

Novembro de 2007
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