Vestígios de cinco mil anos

Sítio Arqueológico conserva vestígios humanos de cinco mil anos

Numa região pouquíssimo explorada turisticamente, no chamado Pólo Costa Branca, que reúne mais de 20 cidades , surge uma atração turística que aguarda os visitantes há mais de 5.000 mil anos. O Lajedo de Soledade, na cidade de Apodi, no sertão potiguar; desponta como a maior descoberta do turismo histórico do nordeste brasileiro. O Lajedo de Soledade é uma impressionante formação de rocha calcária de 127 hectares, cuja origem se deu a 140 milhões de anos, quando os continentes africanos e sul-americano ainda se encontravam unidos. O Lajedo fica na cidade de Apodi, no sertão do Rio Grande do Norte, a 335 km de Natal. É considerada uma das formações mais antigas do Brasil. Por milhões de anos permaneceu no fundo do mar, e por esse motivo foi possível encontrar animais marinhos fossilizados na região do Lajedo, como ostras, caramujos, estrelas e ouriços-do-mar, de 90 milhões de anos.

Com o recuo da água, essa imensa extensão de rocha calcária ficou exposta, sofreu a ação da água das chuvas e dos rios que se formaram entre suas fraturas, o que também alterou a superfície do Lajedo. Foram encontrados também dentes e ossos soltos ou cimentados de mamíferos de 30 mil anos, como preguiças e tatus gigantes, cavalos, porcos, mastodontes, tigres-dente-de-sabre e outros animais já extintos.

Os dinossauros habitaram também a região na mesma época, porém seus vestígios só foram encontrados, até o momento, na vizinha bacia do Rio do Peixe, na Paraíba, e na Chapada do Araripe (Ceará e Pernambuco).Várias dessas peças estão organizadas no Museu de Soledade, na cidade de Apodi-RN, próximo ao sítio arqueológico.

Além da bela visão do Lajedo, a erosão formou cavernas e abrigos que serviram a grupos humanos entre cinco mil e três mil anos atrás. Esses grupos deixaram pinturas nas paredes, principalmente de cor vermelha e amarela, típica pintura de tradição agreste, obtida do óxido de ferro, sangue animal e gordura vegetal. São desenhos de animais e de formas geométricas variadas, além de carimbos de mãos e delicadas gravuras sobre as rochas.

Eram grupos nômades, caçadores e coletores, que provavelmente utilizavam os caminhos naturais do Lajedo para encurralar os animais que caçavam. Também é evidente que vários grupos, em épocas diferentes habitaram o local pois alguns dos desenhos se sobrepõe a outros mais antigos.

É possível visitar parte do Lajedo, pois três áreas já estão delimitadas e destinadas à preservação, Araras, Urubu e Olho d’água, sempre com auxílio de guias especializados como é o caso do Professor  Adaílton Targino  Geógrafo pela UERN e presidente da FALS, Fundação Amigos do Lajedo de Soledade. Também é a FALS quem coordena pesquisas na área de arqueologia, paleontologia, espeleologia, geologia e educação ambiental, com o patrocínio da Petrobrás.

Desde 1978, a advogada e historiadora Maria Auxiliadora da Silva Maia iniciou o trabalho de preservação do Lajedo de Soledade, preocupada com a destruição do local. Por muito tempo, o calcário desse sítio foi fonte de pedra para a produção de cal. A população local usava explosivos à base de pólvora, ameaçando a estrutura calcária, vendendo pedaços de fósseis, depredando pinturas e gravuras.

Nas décadas de 80 e 90, outros pesquisadores e professores se uniram ao projeto, desenvolvendo estudos no local e conscientizando a população da importância de cuidar desse importante patrimônio histórico e cultural brasileiro.

Hoje são 10 hectares de áreas delimitadas e abertas à visitação, foram construídos o Museu, que abriga as peças encontradas nos sítios arqueológicos, e o Centro de Atividades do Lajedo, estimulando a produção de artesanato, beneficiando as famílias da região, além da capacitação de guias da própria comunidade e do estímulo à pesquisa acadêmica.

A população já percebeu a importância do turismo no local. O Museu e os guias podem manter-se, mesmo com alguma dificuldade, com a verba dos visitantes. Várias famílias, hoje, podem ficar em sua cidade natal sem ter que se deslocar para as capitais em busca de melhores condições de vida, através do artesanato. Essa é de fato a grande importância do Lajedo, a possibilidade de manter-se rentável sem destruir o patrimônio natural e histórico, possibilitando aos turistas conhecer e valorizar a história da humanidade no Brasil.

Para visitar a magnifica região, a melhor opção é a partir de Mossoró. São 70 quilômetros de excelente estrada até a cidade. No Sítio Arqueológico você pode visitar o Museu e ser acompanhado pelos guias no Circuito completo visitando todo o Sítio Arqueológico, a partir de R$ 15,00 por pessoa. Há restaurante, lanchonete e um Centro de Arte e Artesanato.

Mais informações sobre o Lajedo de Soledade (84) 3333 1017 e 3333 3981.

Editoria: Vininha F. Carvalho, março de 2008
Fonte: Assimptur

Comments